DOR NAS COSTAS E VITAMINA D

Correr na areia ajuda na preparação física, mas exige cuidados do atleta
19 de January de 2015
Cuidados com a coluna das crianças nas férias
27 de January de 2015
Mostrar todos

DOR NAS COSTAS E VITAMINA D

 

A dor nas costas é um problema de saúde extremamente prevalente em todo o mundo. Cerca de 80% da população, em algum momento da vida, já experimentaram queixas de dores na coluna, e a incidência e a prevalência deste sintoma são tão freqüentes que deve ser estudado como uma desordem epidêmica e social. Problemas de coluna são mais comuns em mulheres do que em homens. E em se tratando de mulheres na pós-menopausa, vários estudos foram realizadospor vários grupos no mundo, apontando a prevalência de dor nas costas de 74%, e destas, uma em cada três relataram dor diária. Um estudo avaliou 9305 mulheres em diversos países e a grande maioria (67,5%) tiveram dor nas costas. Outros estudos tiveram resultados similares.  Vogt MT e colaboradores determinaram, além da elevada prevalência da dor lombar em mulheres na pós-menopausa, uma relação deste sintoma com a diminuição da saúde física e aumento de limitações funcionais. Um importante agravante é a ausência no trabalho devido a dor nas costas, particularmente no Brasil, onde o custo para a economia é alto. Estudos mostraram que aproximadamente 15% das mulheres limitoram suas atividades e 5% ficaram pelo menos 1 dia acamada, em intervalo de 6 meses, números que corroboram com esta preocupação econômica desta doença.

 

A dor nas costas possui um grande número de causas. Um estudo desenvolvido por nosso grupo de pesquisa do Instituto Nacional da Saúde da Criança, Mulher e Adolescente Fernandes Figueira-IFF/FIOCRUZ em paceria com o Centro Internacional de Pesquisas Clínicas –CCBR, teve como objetivo avaliar a relação da hipovitaminose D com dor nas costas, e por isto foi selecionada uma parcela da população com maior probabilidade de apresentar diminuição da concentração deste hormônio no sangue. Assim, a população deste estudo foi de mulheres na pós-menopausa, com média de 67 anos e quase ¼ das participantes apresentavam hipovitaminose D. Esta prevalência foi demonstrada em outros estudos. Lips P e colaboradores demonstraram que a deficiência e a insuficiência de vitamina D em mulheres na pós-menopausa têm sido detectadas em inúmeros países e são um problema crescente. Russo, LAT e colaboradores estudaram a frequência de concentrações inadequadas de vitamina D em mulheres na pós-menopausa no Rio de Janeiro, e encontraram que, de 251 mulheres avaliadas, apenas 8,4% das pacientes apresentaram concentrações de vitamina D completamente adequadas segundo a classificação mais aceita atualmente (100nmol/L).

 

Em relação ao local da dor nas costas, o local mais acometido pela dor foi a região lombar. Muitos estudos trataram apenas de dor lombar e não de dor em outras regiões das costas, o que pode justificar a falta em encontrar a relação entre vitamina D e dor nas costas (cervical, torácica, tóraco-lombar e sacra). Não houve diferença em relação à frequência nas regiões cervical, torácica, toraco-lombar e lombar, mas houve diferença estatística em relação à dor sacral.

 

Neste estudo,a  dor nas costas em mulheres na pós-menopausa foi associada à hipovitaminose D  assim como  sua gravidade e freqüência da dor .

 

As mulheres que tinham hipovitaminose D ficaram mais acamadas do que as mulheres que tinham concentrações adequadas de vitamina D.

 

As mulheres com hipovitaminose D também ficaram mais dias com suas atividades limitadas.

 

E, por fim, a hipovitaminose D também esteve mais presente no grupo que apresentou mais dificuldades para realizar as atividades propostas pelo questionário, tais como flexionar o tronco, levantar um objeto de 5 kg, alcançar um objeto acima da própria cabeça, calçar meias em qualquer um dos pés, entrar e sair de um carro, ficar em pé durante aproximadamente uma hora, ficar sentado numa cadeira aproximadamente 30 minutos.

 

Daí, mais uma razão para estudos sobre ação, e uso da vitamina D, além dos nos  já conhecidos efeitos desta na osteoporose e baixa massa óssea, como forma de redução de fraturas na pós- menopausa.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *